Fim do ano de quem mora no exterior: curtir ou sofrer?

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Como é o final de ano de quem mora no exterior? Como passamos as festas se estamos longe da familia e dos amigos? Os primeiros dias do Novo Ano estão recheados de bons desejos, ainda iluminados com os fogos de artificio espalhados pelo mundo (ou não, dependendo da tradição do pais) e todo mundo é feliz pois sabem que tem 365 dias novos para construir uma vida nova. Sim, isso mesmo. Ano Novo tem esse poder. O balanço de tudo o que passou, das tarefas cumpridas e do que ainda não foi feito. Quem não faz isto? Alguns arriscam a escrever no papel, montar mapas de desenhos e imagens com planos para o novo ano (ajuda muito e eu faço sempre) ou outros reviram sua cabeça de tantos pensamentos que o circundam.

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Depois de quase 7 anos vivendo longe do Brasil, posso dizer, que cada final de ano longe de casa (isto inclui Natal e Ano Novo) tem um sabor diferente. E a cada ano fico mais perceptiva com o que acontece a minha volta, como os estrangeiros reagem longe das suas famílias, como as famílias reagem com os queridos que moram longe. E as mensagens de final de ano? Imagens? O que cada um transparece e como se expressa? Uma péssima noite de ano novo significa um ano igualmente péssimo (eu já ouvi isso!). E uma ótima noite? Comecei bemmmm (já ouvi isso também).

Quem mora no exterior e longe do seu pas, parece ter sempre uma das duas opções no final do ano: ou curtir ou sofrer. Eu acredito que todos nós temos um pouco dos dois.

Curtir as novas amizades e amores que surgem em um dos encontros na casa de alguém nestas datas comemorativas. Ou aquele sonhado momento em um local tradicional nas grandes capitais do mundo, como Nova York na Times Square, em Londres olhando para a London Eye, em Paris na famosa Champs Elysees, em Sydney na Harbour Bridge, apenas para citar alguns. Curtir as novas experiências com a cultura local, especialmente se estivermos rodeados de nativos daquele pais ou simplesmente ser feliz nesta data por estar ao lado de quem escolhemos estar perto celebrando do nosso modo.

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Foto: visitlondon.com/Stewart Marsden

Sofremos de saudade e nostalgia nestas datas e pelo desejo de unir todos aqueles que amamos em um único local (quem mora longe sabe que isto é tarefa impossível). Outros ficam tristes por ter que passar a noite trabalhando, sem poder comemorar. E existem ainda os que simplesmente choram de solidão (o que não e difícil) pois muita gente viaja nesta época do ano e acabam ficando sozinhos e perdidos.

A verdade é que, a medida em que o tempo passa, observo e sou mais sensível com o que está ao meu redor.

Pelo terceiro ano consecutivo em Londres, me pergunto como a cidade mais cosmopolita do mundo pode ser tão receptiva e ao mesmo tempo tão egoísta. A Terra da Rainha, sempre repleta de gente, fica totalmente festiva, decorada e iluminada nesta época do ano, contrastando com as poucas horas de luz do dia (escurece as 3.30pm) , o frio de temperaturas baixas, o fog e a chuva.

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Durante os últimos 10 dias, meu coração se partiu e se reconstruiu algumas vezes. No dia 23 de Dezembro sentei ao lado de um senhor no trem falando sozinho, resmungando e gritando que odiava o Natal e todas as famílias felizes fazendo compras. Vi pessoas morando nas ruas frias com uma sacola de comida ao lado (de uma destas famosas fast food daqui chamada Pret A Manger). Conversei com um atendente de supermercado que disse que organizar as comidas na prateleira era sua única preocupação longe da familia naquela noite.

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Mas meu coração se reconstruiu de novo quando vi tanta gente esperançosa e abençoada na Missa do Galo na Catedral de St. Paul e quando cheguei em casa e nossa vizinha havia deixado um pacote na porta com as tradicionais tortinhas de Natal britânicas (Mince Pie). De novo quando vi um casal entrando no supermercado pois queriam comprar e encher a casa de flores no Ano Novo. Pessoas sorridentes e gentis pelas ruas, e mensagens carinhosas de pessoas que conheci nos mais diferentes cantos do planeta.

Todo mundo diz que morar no exterior e longe de casa ”tem um preço”. E nesta época do ano, o preço parece ser mais caro. Mas este preço não é ruim, é apenas diferente.

E é parte deste processo poder curtir ou sofrer, ter o coração despedaçado e colado de novo.

Que em 2017 sejamos ainda mais gratos pelas nossas escolhas e estejamos ainda mais abertos e sensíveis com o próximo. E que, acima de tudo, possamos dar os passos certos e aprender com os passos errados rumo ao nosso objetivo, porque afinal, o que realmente importa é a caminhada.

Um beijo da equipe Steps to Fly!

Roberta Weber Calabró.

 

Roberta Calabró
Co-fundadora Steps to Fly
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