A volta ao futebol (e o dia em que joguei para o Príncipe William da Inglaterra)

 In Blog

Não é todo mundo que tem o privilégio de jogar futebol para um membro da família real inglesa. Pois no dia de hoje eu tive a oportunidade (vestida com o traje do meu time do coração, o Grêmio Porto alegrense) de jogar para o Príncipe William ou Duque de Cambridge (ele mesmo, filho da Princesa Diana e do Príncipe Charles, neto da Rainha Elizabeth II).

(Charles, George e William)

Eu não poderia deixar de falar sobre isto aqui no blog da Steps pois além de tudo o que envolve a presença de um membro da família real em algum local, não dá para esquecer o que se passou dentro de mim por estar participando de um momento como este, de superação, de história, de sonho, de objetivo. E é aí que entra a relação do evento com a Steps to Fly. Para chegar ao dia de hoje, um longo caminho foi percorrido… Querem saber como isto aconteceu?

(time que jogou hoje)

Em Caxias do Sul, a cidade aonde nasci, descobri a paixão pelo futebol. Comecei jogando com meu irmão e vizinhos na rua até chegar ao time de futsal da escola e participar de várias competições na cidade e no estado do RS. Treinei em alguns times e quando seguiria para algo mais profissional, chegou o momento de mudar para Porto Alegre e estudar para a Universidade. Tive que escolher.

No cursinho pré-vestibular formamos um time que logo foi Primeiro Lugar no campeonato. E foi na mudança para a capital que descobri minha paixão pelo Grêmio. Ia no estádio sempre e assistia todos os jogos do meu time. Comecei a Universidade de Comunicação e não demorou para que eu começasse a jogar e novamente competir, além de jogar toda a semana com grupos de amigas. Mas aí em 2010 veio a mudança para o exterior e eu sabia que algumas das coisas que eu mais amava fazer ficariam de lado devido a nova vida que eu estava me propondo. O futebol foi uma delas.

Quando mudei para a Itália e lá fiquei por 5 meses, não tive nem tempo de formar um grupo de pessoas, quanto menos jogar bola. Em Madrid durante os dois anos que lá permaneci, lembro de ter feito bolinhas de papel na Haagen Dazs para jogarmos no salão de cima, quando não tinha cliente. Lembro também que uma das minhas amigas me levou para um lugar meio afastado, onde acho que joguei o único jogo de futsal na Espanha. Em janeiro de 2013 mudei para Londres, e estive tão focada em trabalhar, aprender o idioma, montar minha empresa e escrever, que não sobrou tempo para o futebol.

Mas que bom que existe o Ano Novo, e com ele o sistema Goal Mapping que aprendi e uso até hoje para desenhar meus novos objetivos, passo 1 da Steps to Fly. Neste desenho estava uma figura de jogadores de futebol e uma bandeira do Grêmio (ver abaixo), voltar a jogar era um dos meus novos objetivos para 2016.

                 

(Mapa 2016)                                                              (Futebol)

Em fevereiro deste ano eu estava no aniversário de uma amiga e, por coincidência, minutos antes de ir embora, uma menina que estava lá (que por sinal era amiga de uma amiga dela) comentou que jogava em um time de futebol aqui em Londres. Acabei pegando o contato da treinadora. Eram muitos os medos e dúvidas – voltar a jogar depois de tantos anos, se sentir fora de forma, os treinamentos em lugares afastados que me fariam perder muito tempo, entrar em um grupo aonde eu não conhecia ninguém, as barreiras do idioma (sim, termos técnicos de futebol), e levei mais ou menos 1 mês para ir ao treino. Fiquei esperando a menina que eu conhecia ir também, para me apresentar ao time. Descobri que a quadra onde treinavam futsal, a Caius House ficava a 10 minutos a pé da minha casa. Acontece que aquele foi o único treino que esta menina foi, e eu segui adiante.

Confesso que no começo foi difícil, eu não conhecia ninguém, não entendia as expressões do futebol e sim, eu estava fora de forma. A média de idade das meninas é de 25 anos (eu completei 34 na Segunda-feira). Em Agosto veio o convite para jogar a Terceira Divisão do Campeonato Inglês, estava começando a temporada feminina que irá até Março de 2017. Sim, Futebol de campo (acho que joguei 2x na minha vida quando tinha 16 anos).

A resposta? Óbvio que não, impossível. E o frio em Janeiro? E aguentar 2 tempos de 45minutos? Perder meu Domingo todo para jogar? Não sei nem qual posição jogar em campo e muito menos como se diz em inglês! Roberta, sua velha, cai na real.

O subconsciente antes de dormir? Roberta, por que não? Imagina poder contar para a tua sobrinha que tu jogou a terceira divisão do campeonato inglês? Como tu trabalha inspirando os outros a seguir os sonhos e não segue o teu? Fraca! Não dá para fazer as coisas nos outros dias e jogar Domingo? Qual é o problema de comprar uma chuteira com travas?

E então, além de jogar futsal nas Terças feiras, comecei a treinar nas Quintas, futebol 7 em grama sintética. Por quê?

Me inscrevi na liga. Me inscreviiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! E não é que minha fotinho na carteirinha de registro ficou linda? E não é que a sensação de te entregarem um uniforme personalizado só para teu time no vestiário é incrível?

(Nosso time do último Domingo)

E não é que entrei aos 25min do primeiro tempo no primeiro jogo do campeonato e acertei um chute de fora da área e fiz um golaço? E não é que no segundo jogo do campeonato comecei de titular e pude estreiar minhas chuteiras novas de travas -compradas na sessão infantil?

                                                   

(Escalação do time titular da segunda partida)                                (Elas, as chuteiras de número 5.5)

E que neste mesmo jogo, fiz 2 gols e sou uma das artilheiras do time? E que entraram no vestiário com um bolo em formato de bola de futebol para cantar parabéns para meu aniversário nesta semana? E não é que a treinadora enviou uma carta na semana passada que hoje o Principe William iria ver a gente jogar futsal aonde treinamos (já falarei da importância do local) e conhecer nosso time?

                                                    

(O bolo)                                                                                      (A carta)

E por fim, não é verdade que o mundo se abre quando você se permite? Que coisas maravilhosas podem acontecer quando você diz sim para algo que acredita? Que você se sente mais completo quando segue sua paixão? Ou que tem uma sensação maravilhosa ao obter sucesso depois de criar um novo objetivo para sua vida?

Confesso que acordar em um dia lindo de sol e verão sabendo que você vai conhecer o Príncipe William é uma sensação engraçada. Preparei meu kit do Grêmio (que além de me dar sorte estava em meu mural para 2016) com todo carinho e fui trabalhar. As 2h da tarde me “transformei” para o Principe e deixei meu trabalho e fui beirando o Rio Tâmisa até dobrar no Heliporto e chegar no espaço aonde treinamos chamado Caius House.

                        

(Kit pronto)                                                    (Tranformação)

Caius House é um clube de caridade e para jovens, que serve a comunidade de Battersea por mais de um século (desde 1887) quando alguns alunos de graduação e bolsistas de Gonville e Caius College Cambridge alugaram uma casa em Battersea e criaram um centro de atividades para os residentes locais. E por ser este local de extrema importância para a comunidade, o Duque foi convidado para visitar novamente e encontrar com os jovens que ali desenvolvem atividades e treinam. Então, todos deveriam fazer estar realizando suas atividades quando ele chegasse ali.

(Caius House no passado)

Bom, já na chegada, por volta das 2.20 da tarde, me deparei com um carro de policiais, muitas motos e claro, alguns guardas em lugares estratégicos circundando o local. Na entrada, uma mulher pediu meu nome, já registrado na noite anterior, e me acompanhou até a quadra aonde eu treino. Por ali tinham algumas pessoas elegantes, membros do Staff (equipe) fotógrafos, algumas crianças e jovens treinando, algumas pessoas preparando algo na cozinha, e nunca vi aquele lugar tão brilhoso e limpo em toda minha vida. Hahahah

                     

(Policiais)                             (Guardas)                                         (Boxe)                                              (Equipe)

Convidei minha amiga Aninha para estar presente para acompanhar e registrar tudo, mas não deixaram ela entrar na quadra sem fardamento (e isto que ofereci uma bermuda e camisa de treino esta manhã, mas ninguém disse que era indispensável). Ela ficou lá na entrada e ia me informando tudinho, minuto a minuto, da movimentação. Coisa mais querida! Enfim, eu quase sem bateria e as 3.33 da tarde ele chegou e entrou na Caius House. Eu soube, claro, pela Aninha via mensagem de texto (a internet estava horrível).

(Mensagem)

E espalhei ao time. A gente seguiu jogando…meia quadra (a outra estava ocupada por umas 4 pessoas do basquete). Algumas pessoas se posicionaram na porta de entrada da quadra (as que conversariam com ele, pessoas escolhidas para falar de cada um dos esportes praticados ali) incluindo as minhas duas treinadoras – a Beth e a Em Hill, juntamente com fotógrafo, representantes do centro e outras pessoas (que obviamente eu não conhecia). Estávamos ali jogando, mas eu já nem sabia mais o que fazer quando vi ele entrando e ai já perdi a concentração. Ele começou a conversar com as pessoas, e olhava nosso jogo, e eu olhava para ele, e as meninas tentavam seguir jogando…E eu estava curiosa, ao enxergá-lo a poucos passos de mim.

                             

(William e nós jogando ao lado)                          (William e as treinadores Beth and Em)

Aí eu tive que parar de jogar e sair correndo pegar meu telefone na mochila. Hehhehe, assim mesmo. Comecei a olhar, bater fotos, selfie de longe, enquanto ele conversava com as pessoas, de terno azul, calça mais curta e sapatos marrons. Alto, simpático, bronzead0 e uma super presença (as amigas repetiam HE IS VERY GOOD LOOKING, HE IS HOT…). Muito mais bonito do que nas fotos e na tv. Todo charmoso e estiloso. Hehehe.

                

Eu tinha visto ele somente nas comemorações do aniversário da Rainha, na sacada do Palácio de Buckingham quando abriram os portões de última hora na minha frente e sai correndo. Mas não a poucos passos de mim. Quando vi todo mundo tinha parado de jogar para bater foto dele. Ele deve ter ficado ali por uns 10-15 minutos. E ficaram um bom tempo conversando com nossas treinadoras e querendo saber do nosso clube – o South London Laces e dos treinos. Eu vi ele apontando e me olhando, acho que ele gostou da camiseta do Grêmio.

                                                                       (Palácio de Buckingham em Junho)

Confesso que ontem fiquei imaginando como seria este encontro. Se eu ia fazer condolências, se ia sambar para ele, cantar o hino do tricolor, apertar a mão, dar três beijinhos, enfim…tantas coisas…mas, fica para a próxima (óbvio que é brincadeira). Foi um momento incrível e sim, acho que por morar aqui na Inglaterra, e este povo ser tão apaixonado pela família Real, a gente meio que acaba se envolvendo também. =)

Valeu. Parece que ele foi para a cozinha terminar um Cup Cake, arriscou uns passos de dança, viu as crianças desenharem, outras lutarem box, conheceu o pessoal do time de futebol feminino, masculino e basquete. Coisa querida esse Principe, o jeito dele me lembrou a princesa Diana.

                                                                                     (William e as crianças)

Para encerrar este longo texto, fico pensando quanta coisa a gente perde por dizer Não ou não aproveitar as oportunidades que a vida nos dá e o quanto os medos podem nos impedir de viver coisas maravilhosas. Medos de algo que ainda nem existe (e que talvez não existam). Segundo Blair Singer, nossa LITTLE VOICE. Além disso fico pensando nas pessoas que não tem novos objetivos e as que tem, mas não persistem. E é para estas que a Steps to Fly existe, para que elas possam enxergar que não é difícil seguir nossos sonhos e o que nos propomos.

Mas uma coisa é certa. Se eu não tivesse ido naquele aniversário eu não teria tido a experiência de chegar pertinho do Principe William.

1) Conheça mais sobre os 7 Passos para Voar, baixando o Guia Grátis aqui.

2)Leia mais sobre a visita do Principe na Caius House

Daily Mail

Telegraph

Evening Standard

International Business Times

Us Magazine

Escrito por

Roberta Weber Calabró, 14 de setembro de 2016.

Roberta Calabró
Co-fundadora Steps to Fly
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