O que fazer antes de tomar a decisão de morar no exterior?

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A jornalista Andrezza Czech da UOL Comportamento me entrevistou a respeito do que eu achava de morar no exterior e o que eu queria passar para as pessoas que lessem a matéria. Como algumas pessoas me perguntaram, segue abaixo a entrevista completa. No fim do texto, tem um link para o final da matéria.

Então, a ideia da matéria era listar o que deve ser ponderado antes de tomar essa decisão de morar fora do país, para assim tentar minimizar possíveis riscos e ter uma vida de sucesso no exterior.

Foto: Ekonomista

– Primeiramente, gostaria que você contasse um pouco sobre a sua experiência no exterior. Como foi sua decisão de se mudar, quais as dificuldades que você enfrentou e como conseguiu superá-las para hoje ser bem sucedida realizando seu sonho.

Eu sempre amei viajar e lembro que desde pequena, saindo de Caxias do Sul/RS onde nasci, indo para a praia de Torres e Porto Alegre na casa das minhas tias, eu realmente curtia as aventuras de estar em um lugar diferente e descobrir coisas novas. Na adolescência, eu viajava todo ano com as excursões da escola e meus pais, com dificuldades financeiras, faziam o impossível para que eu participasse de todas e eu valorizava ainda mais. Fui conhecendo muitos cantos do nosso Brasil até cruzar ele todo de ônibus (Porto Alegre-Fortaleza) durante a faculdade levando 4 dias. Coloquei como meta que queria terminar o curso de RP na Ufrgs e morar no exterior e me formei em Agosto de 2009. Como meus avós eram imigrantes italianos e eu poderia adquirir a cidadania italiana esse era o caminho mais fácil que eu tinha para morar legalmente na Europa e resolvi fazer um planejamento e ir atrás de tudo o que precisava. Eu não tinha dinheiro para pagar um especialista e comecei a fazer todo o processo sozinha. Busquei muita informação, montei uma planilha para saber quanto dinheiro eu precisava, fui atrás da documentação da família, comecei a economizar mês a mês, me matriculei em um curso de italiano e comecei a trabalhar em 3 lugares diferentes para juntar dinheiro. Em janeiro de 2010 minha tia escreveu para um amigo que morava em Gênova e ele respondeu prontamente que me receberia. Eu disse SIM, eu estava pronta. A partir me preparei e me fortaleci também emocionalmente para sair da minha zona de conforto, terminar com meu namorado, me afastar da minha família e ARRISCAR. Em 16 de agosto do mesmo ano, embarquei naquele avião com destino á Itália.

Meu primeiro mês na Itália foi em uma “Fattoria” na Toscana e a alegria de tudo o que eu estava vivendo e do sonho se concretizando se mesclava com a dificuldade do idioma e a saudade da família.Viajei bastante, aprendi italiano e morei sozinha com uma senhora de 95 anos que me contava histórias da Segunda Guerra Mundial enquanto jantavámos. Aprendi a fazer jardinagem para ganhar dinheiro e limpar as pratas da casa desta rica senhora, que era mãe do amigo da minha tia que me recebeu. O próximo passo foi a ida para Madrid, no Natal deste mesmo ano, pois a minha melhor amiga Flor morava lá e foi sempre a minha grande incentivadora me ajudando nos meus primeiros passos por lá. Cheguei no momento de maior crise espanhola sem falar inglês e depois de um mês consegui trabalho de garçonete na segunda maior sorveteria Haagen Dazs da Espanha. Virei manager da loja e tenho orgulho de dizer que o cineasta Pedro Almodovár era meu cliente. Depois de 2 anos, eu e Flor decidimos dar um novo passo, Londres. Passei pelo processo de preparação durante 6 meses, muito trabalho, economias, busca de informação e coragem. Chegamos em Janeiro de 2013 em uma casa compartilhada no bairro de Wandsworth Town, por indicação de uma amiga da Universidade, e eu tive a oportunidade de trabalhar nesta mesma empresa de acomodações com menos de 20 dias no país. Agradeço ao Leandro Marcondes – hoje CEO da Experiência de Sucesso no Brasil – que me proporcionou diversos cursos de desenvolvimento pessoal, onde em um curso na Polônia descobri minha missão – preparar e inspirar pessoas que tem o sonho de morar fora. E ai nasceu a Steps to Fly.

– Existe um contexto adequado para fazer esta mudança? Por exemplo, se a vida profissional está indo bem no Brasil, vale arriscar ou é melhor esperar outro momento?

O que digo para os meus clientes é que o contexto adequado para fazer a mudança é o que está dentro de você. Só a gente sabe a hora em que algo tem que mudar, quando nos sentimos desconfortáveis, quando precisamos buscar algo melhor, seja um relacionamento, um trabalho novo, uma mudança de país. Nós também sabemos que qualquer decisão tem consequências positivas e negativas, e cada novo país e cultura tem suas vantagens e desvantagens em relação ao Brasil. O segredo é não comparar pois muitas coisas nos surpreenderão e o que vai lhe manter na linha é o seu objetivo, o foco, que é o primeiro dos 7 passos para voar (sistema que eu criei para preparar os sonhadores).

O que é ter uma boa vida profissional no Brasil se você tem medo da violência e está infeliz? Talvez você seja mais feliz servindo cervejas em um pub durante a semana e viajando todo final de semana para um lugar diferente na Europa, né? Novamente digo que tudo vai depender do seu objetivo neste momento da sua vida. Sempre digo que a gente não deve esperar para amanhã o que pode fazer hoje e que o melhor é arriscar e dar errado do que passar a vida na zona de conforto sem saber o que teria acontecido se você tivesse ido. Mas leia bastante, se prepare, busque informação e não ache que morar no exterior vai resolver todos os problemas, ao contrário, aqui você terá que superar muitos obstáculos que jamais imaginou que pudessem existir. A parte boa? Você aprende a valorizar as coisas mais simples como um abraço no seu aniversário ou um Skype com a sua família.

– Que conselhos você daria para quem quer morar no exterior? O que é preciso pensar antes de tomar essa decisão? (Ter reserva financeira, ter certeza do país para o qual pretende-se mudar, conhecer um pouco da cultura e do idioma? O que pode ajudar?)

Os conselhos que eu sempre dou para quem me procura com dúvidas e sonhos de morar fora é, prepare-se. Saiba o que você está indo buscar e o que quer atingir com esta experiência e foque nisto. Leia bastante sobre o país (ou países) que você está pensando em ir, ouça vídeos de especialistas, pessoas que moram no país de destino, leia sobre a cultura, possibilidades de trabalho, pesquise sobre cursos, saiba quanto dinheiro você precisa para X meses, prepare-se emocionalmente. Tudo isto faz parte da preparação e estamos em um mundo de causa-efeito.

Por que eu digo isto? Porque durante estes 6 anos já vi gente que veio para Londres com o intuito de aprender inglês mas jamais saiu da roda de amigos brasileiros e voltou sem falar nada do idioma. Também conheci pessoas com cidadania européia que passaram 3 anos juntando dinheiro para chegar e trabalhar em um novo pais, mas jamais sairam de casa para procurar trabalho ou vieram tão iludidos que trabalhariam na sua área no primeiro mês – sem falar inglês – que jamais aceitaram trabalhar em um pub, ou limpando casas, por exemplo. Resultado? Não deu certo.

Em compensação, neste tempo todo fora do Brasil tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, de todos os lugares do mundo e todas aquelas que atingiram seus objetivos – ou o sucesso – foram aquelas persistentes, lutadoras, adaptáveis, motivadas e que colocaram seu objetivo acima de todas as coisas.

– O que você recomendaria para quem deseja apenas passar um tempo fora, fazendo um curso de idiomas, por exemplo?

Existem muitos modos de ter uma experiência de vida no exterior e não necessariamente você tem que ter um passaporte europeu-canadense-americano para que isto aconteça. Existem países que permitem trabalho e estudo ao mesmo tempo como Dublin e Austrália. Existem diversas bolsas de estudo para graduação e pós-graduação em universidades, por exemplo. Fique atento aos prazos. Quem realmente quer algo, busca modos de realizar-lo. A crise não é desculpa pois tudo são prioridades e você pode voltar a morar na casa dos pais para economizar ou deixar de comprar e ir para festas, por exemplo.

Eu super recomendo a TODAS AS PESSOAS que arrisquem e tenham uma experiência de vida fora, pois não existe nada mais incrível e enriquecedor para os seres humanos do que a descoberta. De novos lugares, de convivência com outras culturas, de um novo sabor, de uma nova sensação, de aprender um novo idioma, e principalmente, a auto-descoberta.Uma vez que você sai do Brasil e da sua zona de conforto, um novo mundo se abre e você passa a ver e compreender tudo diferente. Estou escrevendo meu livro que se chamará Passos para voar com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2017, onde contarei histórias e como preparar-se para a vida aqui fora.

Confira aqui como ficou a matéria completa na UOL.

Entrevista com Roberta W. Calabró, fundadora da Steps to Fly.

Roberta Calabró
Co-fundadora Steps to Fly
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